Místico Milagre, filha do Deleite,
Tú êxtase, Vida,
Deixa o raio de teu vôo
Ser eternidade.
Sobre tuas asas alto carregas
Glória e desdém,
Divino ser e mortalidade
Êxtase e dor.
Toda tua beatitude explorarei,
Toda tua tirania.
Cruel como o rugir do leão,
Doce como a primavera sê.
Como um Titã conquistarei,
Como um Deus desfrutarei,
Como um homem lutarei e farei,
Como um menino folgarei:
Mais de ti não pedirei,
Nem meu destino quero escolher;
Rei ou vencido deixa-me ser
Viver ou perder.
Até em andrajos sou um Deus;
Caído, sou divino;
Alto eu triunfo quando esmagado,
Longo vivo quando morto.
(Sri Aurobindo)
"contido na Revista Ananda - publicada pela Casa Sri Aurobindo - BH - Brasil"
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