DEPENDÊNCIA
A libertação vem do interior e não exterior. Como mendigos que se sentam nos degraus do santuário com sua paralisia, vacuidade e fome, dando-lhes cada viandante que passa uns níqueis ou uns grãos de arroz para alimentá-los, voltando no dia seguinte de novo, vazios, famintos, tristes, fracos - assim é o homem que depende de outrem, o homem que não viu o fim, e que depende para a sua felicidade, para seu consolo, para a sua libertação, do amparo alheio. Pelo fato de haver eu atingido à libertação, é que vos posso alimentar, encher os vossos vazos. Como, porém, sei que amanhã eles estarão de novo vazios, quero dar-vos, antes, o poder, a força, e a vitalidade para dardes os passos que conduzem à realidade da vida, para que, assim, vós próprios vos torneis Deuses e possais alimentar a outros, para que aos demais possais dar forças e vitalidade aos que se encontrarem vazios, famintos e esquálidos.
Autor: Krishnamurti - O Medo - ICK
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