Luzes da India

quarta-feira

141º DIA

    Alugamos um táxi e fomos conhecer alguns lugares próximos daqui! Saímos cedo... Foi bom porque não tinha quase ninguém. Final de semana é complicado passear na Índia, normalmente os ocidentais fazem programas durante a semana, para não cair na aglomeração das pessoas. Primeiro fomos a Mahabalipuram. Fica a cerca de 60 km ao sul da cidade de Chennai, em Tamil Nadu. Duas horas  de Auroville! Chegamos lá, um guia abordou logo o nosso táxi. Por 500 rupias ele nos apresentou os principais monumentos, isso durou uns 40 minutos! O lugar tem vários monumentos históricos construídos em grande parte entre os séculos VII e IX e foi classificado pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Hoje em dia  é considerado um dos sítios arqueológicos mais importantes da história da humanidade.
     É impressionante o tamanho das esculturas. Os templos retratam os eventos descritos no Mahabharata (épico hindu). São pavilhões e  santuários cortados a partir de uma só rocha, tudo é construído a partir de pedra lavrada. 
     São diferentes santuários dedicados à diferentes divindades. Um baixo-relevo sobre uma falésia esculpida tem uma imagem de Shiva e um santuário dedicado a Vishnu, indicando a importância crescente destas divindades.
     Acredita-se que essa área serviu como uma escola para jovens escultores. As esculturas diferentes, algumas pela metade, podem ter servido de exemplos de diferentes estilos de arquitetura, provavelmente demonstrado por professores e praticado pelos jovens estudantes. As esculturas de Mahabalipuram devem ter exigido centenas de escultores altamente qualificados.



Algumas estruturas importantes incluem:
  • Templo dedicado ao deus Vishnu. Construído pelo Rei Pallava a fim de salvaguardar as esculturas do oceano. Conta-se que após a construção deste templo, a arquitetura remanescente foi preservada e não foi corroída pelo mar.
  • Escultura em relevo em uma escala maciça exaltando um episódio do Mahabharata (épico hindu), chama-se 'Penitencia de Arjuna'.
  • Um templo de pedra de corte pequeno que remonta ao século VII
  • Escavações recentes revelaram novas estruturas aqui. O templo foi reconstruído, pedra por pedra do mar depois de serem lavados em um ciclone.
  • Cinco monolíticas estruturas piramidais. Um aspecto interessante é que cada uma destas é esculpida em um única pedra.
     De lá seguimos para Chennai, mais 2 horas de viagem. Chegando lá fomos primeiro almoçar. Preferimos ir num shoping porque é mais certo de encontrar uma comida decente (limpa mesmo), mesmo que seja fast food. França não gosta. Eu pessoalmente acho que as vezes é melhor um lugar assim do que se aventurar por terras desconhecidas. Comemos pizza hut. Só às duas da tarde fomos então conhecer a tão famosa Escola de Mistérios, a Sociedade Teosófica. O lugar é imenso, é uma vila muito silenciosa, repleta de árvores grandes e lindas em pleno centro de Chennai, que é uma cidade com um trânsito bem caótico e ruidoso. Além disso, lá dentro tem um dos maiores e mais antigos Bhanyas (árvore sagrada) da Índia(foto).
Fomos ao salão principal, lá está escrito ´Satyãn nãsti paro Dharmah´, na nossa lingua significa "Nao há religião superior à verdade".
                                                                                                                      

    Pra quem não conhece, um pouco da história daTeosofia:
     A origem da palavra Theosophia é grega e significa primária e literalmente Sabedoria Divina. Foi cunhada em Alexandria, no Egito, no século III d.c. por Amónio Saccas e seu discípulo Plotino que eram filósofos neoplatónicos. Fundaram a Escola Teosófica Eclética e também eram chamados de Philaletheus (amantes da Verdade) e Analogistas, porque não buscavam a Sabedoria apenas nos livros, mas através de analogias e correspondências da alma humana com o mundo externo e os fenómenos da Natureza. Assim, em conformidade com o seu terceiro objectivo, a S.T., enquanto sucessora moderna daquela Escola antiga, almeja tal busca da Sabedoria não pela mera crença, mas pela investigação directa da Verdade manifesta na Natureza e no Homem. Dizia Blavatsky: “ o verdadeiro Ocultismo ou Teosofia é a 'Grande Renúncia ao Eu', incondicional e absolutamente, tanto em pensamento como em acção – é Altruísmo ”. “ Teosofia é sinónimo de Verdade Eterna ”, Divina, Absoluta, Pãramãrthika Satya ou Brahmã-Vidya , que são seus equivalentes muito mais antigos na filosofia oriental.
     A Sociedade Teosófica foi fundada em Nova Iorque, 1875, por um pequeno número de pessoas, entre as quais se destacam uma russa e um norte-americano, a Sr.ª Helena Petrovna Blavatsky e o Cor. Henry Steel Olcott, seu primeiro presidente.
Em 1878 o Cor. Olcott e a Sr.ª Blavatsky partiram para a Índia. Em 1905, foi estabelecida legalmente a sede internacional da S.T. no bairro de Adyar, na cidade de Chennai (antiga Madras), estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, onde permanece até hoje. Uma figura bem importante tambem na S.T. foi Annie Besant. Em 1903 mudou-se para a India e em 1908 foi eleita presidente internacional da Sociedade Teosófica, posição esta que ocupou até falecer em 1933.
Na Índia, fundou a Liga Nacionalista Indiana. Ela dedicou-se não somente a Sociedade Teosófica, mas também ao progresso e liberdade da India. Foi a primeira mulher eleita Presidente do Congresso Nacional da India. Próximo à sede da Sociedade Teosófica em Chennai, tem um bairro chamado Besant Nagar, assim designado em sua honra. Adotou como filho o jovem indiano Krishnamurti, que era tido pelos teósofos como um grande Mestre.
     Então, não podíamos deixar de conhecer a Fundação Krishnamurti, seguimos com o táxi para lá, fica bem próximo da Sociedade Teosófica...


Krishnamurti foi um filósofo e místico indiano. Entre seus temas estão incluídos revolução psicológica, meditação, conhecimento, relações humanas, a natureza da mente e a realização de mudanças positivas na sociedade global. Constantemente ressaltou a necessidade de uma revolução na psique de cada ser humano e enfatizou que tal revolução não poderia ser levada a cabo por nenhuma entidade externa seja religiosa, política ou social.
Com seus três irmãos, os que sobreviveram de um total de dez, acompanhou seu pai Jiddu Narianiah a Adyar em 1909,pois este conquistara um emprego de secretário-assistente da Socieade Teosofica. Reza a tradição Bhramane, a qual a família era vinculada, que o oitavo filho toma no batismo o nome Krishna, em homenagem ao deus Sri Krishna de quem a mãe, Sanjeevamma, era devota; foi o que aconteceu com Krishnamurti, a quem foi dado o nome de Krishna, juntamente com o nome de família.
Com a idade de treze anos, passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava um dos grandes Mestres do mundo. Em Adyar, Krishnamurti, foi 'descoberto' por Charles W. Leadbeater, famoso membro da Sociedade Teosófica (ST), em abril de 1909, que, após diversos encontros com o menino, viu que ele estava talhado para se tornar o 'Instrutor do Mundo', acontecimento que vinha sendo aguardado pelos teosofistas. 
Krishnamurti assim foi sendo preparado pela ST; algo, porém, iniciou sua separação de seus tutores: a morte de seu irmão Nitya em 1925, que lhe trouxe uma experiência que culminou em uma profunda compreensão. Krishnamurti em breve viria a emergir como um instrutor espiritual, e dito Mestre extraordinário e inteiramente descomprometido. As suas palestras e escritos não se ligam a nenhuma religiao específica, nem pertencem ao Oriente ou ao Ocidente, mas sim ao mundo na sua globalidade:
                             "Afirmou que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (…) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação. (…)"
A educacao foi sempre uma da preocupações de Krishnamurti. Fundou várias escolas  em diferentes partes do mundo onde crianças, jovens e adultos pudessem aprender juntos a viver um cotidiano de compreensão da sua relação com o mundo e com os outros seres humanos, de descondicionamento e de florescimento interior. Durante sua vida, viajou por todo o mundo falando às pessoas, tendo falecido em 1986, com a idade de noventa anos. As suas palestras e diálogos, diários e outros escritos estão reunidos em mais de sessenta livros.
Voltamos à noite, comemos alguma coisa e saímos de novo, já tinhamos dado um cochilo na viagem de volta mas nem deu tempo de tomar banho! Fomos assistir uma apresentação de Dança Indiana no Auditorium Sri Aurobindo, aqui perto, no Bharat Nivas. Um dia cheio e bem especial.

Gratidão!








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