Luzes da India

terça-feira

Ensinamentos dos Mestres

Sobre o Dharma (Missao)

"Temos que vivenciar nossos sentimentos..."


O Mestre de Lin-Chi morreu. O Mestre era homem famoso, mas Lin-Chi era
ainda mais famoso do que o Mestre, porque o Mestre era homem silencioso
e, através de Lin-Chi é que de fato se tornara famoso. Pois bem, o
Mestre morreu — através também de Lin-Chi sabia-se que ele era um
Iluminado — e milhares de pessoas se juntaram para prestar-lhe homenagem
e dar-lhe o último adeus. Viram que Lin-Chi chorava, as lágrimas
correndo como uma criancinha cuja mãe tivesse morrido. As pessoas não
podiam acreditar naquilo porque pensavam que ele tivesse alcançado a
iluminação — e ali estava ele, chorando como uma criancinha. Isso é
certo se a pessoa é ignorante, mas se a pessoa está Acordada, e quando
ela própria tem ensinado que a natureza interior é imortal, eterna,
nunca morre. . . e então?

Uns tantos, que eram muito íntimos de Lin-Chi, vieram dizer--lhe: —
"Isto não é bom, que dirá de ti o povo? Já corre um boato, as pessoas
julgam que estavam erradas ao pensar que tinhas alcançado. Todo o teu
prestígio está em jogo. Pára de chorar! Um homem como tu não precisa
chorar."

Lin-Chi respondeu: — "Mas que posso fazer? As lágrimas vêm! É o seu
Dharma. E quem sou eu para estancá-las? Nem rejeito nem aceito:
conservo-me dentro de mim. Agora as lágrimas estão fluindo, nada pode
ser feito. Se o prestígio está em jogo, que esteja. Se as pessoas pensam
que não sou Iluminado, isso é com elas. Que posso eu fazer? Há muito
tempo abandonei aquele que faz. Não há mais aquele que faz. Isto
simplesmente acontece. Estes olhos estão chorando por sua própria
iniciativa, porque não poderão mais ver o Mestre — e ele era alimento
para estes olhos, eles viviam desse alimento. Sei muito bem que a alma é
eterna, que ninguém jamais morre, mas como ensinarei isso a estes olhos?
Que lhes direi? Eles não ouvem, não têm ouvidos. Como ensinar a estes
olhos que não chorem, não lacrimejem, que a vida é eterna? E quem sou
eu? Isso é assunto deles.

Se têm vontade de chorar, que chorem."

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